quarta-feira, 21 de março de 2012
cansado remo para alto-mar
Já não sei o obscuro brilho do mar o refulgir alucinado dos teus olhos. Vivo agora amedrontado no covil húmido e sombrio destes dias.
terça-feira, 20 de março de 2012
as facas
Os dias são facas cortantes, afiadas que cortam em camadas finas a vida. E mesmo o mais embotado deles, deixa uma carnificina atrás.
segunda-feira, 5 de março de 2012
Dias e alçapões
Invento assim precipícios, alçapões em cada passo que dou. Sou o movimento cambaleante de um dançarino embriagado, dervixe perdido no turbilhão da sua queda íntima. E nada mais quero, senão este precipitar-me desabrigado no alçapão absoluto e infinito da minha própria morte.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
diário
Deixo agora os cadernos de capa escura:neles, o fogo devorou os dias sem alma em que vivi. Neles cresci como vagabundo inventando destinos absurdos. Agora, serei escriba electrónico, acocorado no teclado e registarei a lenta valsa da areia dos desertos e o enleio apaixonado das ondas do mar, cortejando a terra. É este agora o meu diário: caderno de palavras virtuais. Também os diários são o registo de crises e conversões súbitas, de iluminações místicas. No dobar gelado dos dias, 23 de janeiro 2012
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