segunda-feira, 22 de julho de 2013
sábado, 6 de julho de 2013
o suor do tempo
Alejandra Plizarnik
Nasci tanto
e duplamente sofri
na memória daqui
e de lá
Alejandra Plizarnik
Só agora sinto o que as pedras inventam
tempos parados de viver aqui e lá
só agora penso o derrame intenso
de ter no corpo o suor do tempo
e mais o estranho incêndio
em que as giestas são gestas perdidas
Só agora ignoro a vida onde moro
Nasci tanto
e duplamente sofri
na memória daqui
e de lá
Alejandra Plizarnik
Só agora sinto o que as pedras inventam
tempos parados de viver aqui e lá
só agora penso o derrame intenso
de ter no corpo o suor do tempo
e mais o estranho incêndio
em que as giestas são gestas perdidas
Só agora ignoro a vida onde moro
quinta-feira, 30 de maio de 2013
Aivazovski- vi-o a pintar o Mar Negro, na cidade de Feodócia. E vi no olhar dele o estranho baile das ondas apaixonadas pela lua, na tua túnica salgada esvoaçando até aos meus pés. E juntos, adormecemos cansados da vida, mergulhando num outro mar mais imenso.
segunda-feira, 27 de maio de 2013
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Renasço, nestes partos por cesariana, nestes pensamentos nado-mortos, nada mortos. Renasço aflito por saber que nada já poderá voltar a nascer em mim, a não ser a contradição de nascer e nada ser. Renasço à beira de parir, à beira de partir. Renasço como um corvo que levanta voo numa seara de sonhos e num simples bater de asas colhe o céu. Renasço: aqui e agora, feito, desfeito, breve, eterno. E levo um pincel de sangue para encher o céu de uma hemorragia de vida.
sexta-feira, 10 de maio de 2013
o lamento da neve
We went separate ways midway,
We parted long before we parted,
Having thought: no more misery,
In that last and fateful “forgive,”
Even to cry we've no more strength.
Please write – I ask only one thing...
Dear to me will be your letters,
Sacred, like flowers from a grave –
From the sacred grave of my heart!
1856
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Humid! No freedom and no luck,
The night interminably goes on.
If only the thunder would clap.
Our cup to the rim is filled up!
Thunder, above the sea's clotting,
In the field and in forest sound,
And the cup of universal sorrow
Please split, scatter, and splash!
1868
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Mother
She was filled and moved by sadness,
All the time, while her three teenagers
Jumped and played around her loudly,
Her lips whispered, she deep in thought:
“Miserable dears! why were you born?
You’ll set out on your destined way
And not manage to escape your fate!”
Don't besmirch their pleasure with woe,
Don’t cry over them, mother of sorrows!
We tell them from the earliest days:
There are ages, even entire centuries,
When nothing is preferable, more desired,
More wonderful than a blackthorn wreath...
1868
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Oh, Muse! I am at my coffin's door!
Be as it may, I am much to blame,
And let people's spite one hundred
Times more my sins' scope multiply –
Do not cry! Our drawn lot enviable,
They will not dispute this nor fight:
Between me and many honest hearts
You will not allow too long a rupture
In our living, breathing, blood union!
Some non-Russian will, without love,
Look upon you, pallid, blood-covered,
Flesh-flayed-by-a-thousand-strokes Muse....
1877
Nekrassov
Espero que venham assim as barcaças do Volga, berços de camponeses perdidos na névoa. Outros levam nos olhos os alforges da solidão e o quase invisível silêncio da neve que lhes cai na alma, espessa como um capote gelado.
Vera Dulova - Russian Soviet harpist-virtuoso
http://youtu.be/tqIPolCW3fE
oiço o que vem no silêncio raso de todos os momentos! Cada instante é um pássaro a querer voar para a eternidade, uma ave migratória que atravessa todo o mundo.
oiço o que vem no silêncio raso de todos os momentos! Cada instante é um pássaro a querer voar para a eternidade, uma ave migratória que atravessa todo o mundo.
M. Glinka: Nocturne in E flat major (Olga Erdeli, harp)
assim são as harpas que a noite encobre, véu de musselina a descer suavemente na alma
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
o mundo dos rafeiros
Olho à minha volta e sei a razão súbita do ladrar dos rafeiros:são os que só conhecem a raiva de morder.
São eles os incendiários do silêncio nocturno! No seu ladrar íntimo das noites, explode toda a vida, como pederneira esventrada pela pólvora. Nos rafeiros sarnosos vive e ferve a comichão absoluta do pensamento, do verdadeiro pensamento que ladra sem qualquer razão ou ao mínimo ruído. Pensar é destino rafeiro de nada entender.
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