Renasço, nestes partos por cesariana, nestes pensamentos nado-mortos, nada mortos. Renasço aflito por saber que nada já poderá voltar a nascer em mim, a não ser a contradição de nascer e nada ser. Renasço à beira de parir, à beira de partir. Renasço como um corvo que levanta voo numa seara de sonhos e num simples bater de asas colhe o céu. Renasço: aqui e agora, feito, desfeito, breve, eterno. E levo um pincel de sangue para encher o céu de uma hemorragia de vida.
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